
Atravessando a rua, e ficando na calçada.
Nem sei se era bem uma calçada.
De repente a visão ficava turva, não sei dizer o porquê.
Por causa da garoa, que la estava, ou por causa dos carros passando rápidos naquela noite.
Rápido igual como eu vivo.
Escutando uma voz que ainda não conseguia decifrar, por mais que eu fosse e voltasse ouvindo a todo instante.
Ver os carros “voando” só me fez querer vê-los mais de perto.
E pensando: “Porque não sentir a rua?”
Afinal... Em anos e anos... Fui excludente do próprio modo de viver.
Contraproducente de resultados.
Caso atravessasse sem ser minha hora, ou meu tempo, poderia alegar que cada vez mais eu degringolava.
Eu não percebia.
Eram poucos que percebiam.
Parado ali, com a chuva em meus olhos, minhas pálpebras sendo feitas de pára-brisa, em alguns instantes tinha o dom de ver os carros passando lentamente.
Sem ter coragem para querer ver, apenas fechei os olhos.
Na noite que chovia, eu mal podia esboçar alguma reação.
Preciso enveredar por aí.
Nas neblinas da noite.
E ser um ausente.
Í/b!
A chuva lava o corpo e a alma.
ResponderExcluirNão acredito nessa ausência.
Alguém com certeza te enxergava...