
Advogado realmente é uma raça do cão.
Não conseguiria ser um. Talvez por não aceitar a impunidade.
Sinceramente, pra falar a verdade não imaginava está aqui.
Ouvindo merdas. Tendo que ouvir.
Tendo que responder o que não queria responder.
Voltando ao passado. Intrometendo-se em minha vida.
Se intrometendo onde NÃO devia, onde NÃO queria.
Em meu passado.
E eu lá, sentado naquele veículo, com o cinto rasgando não só meu pescoço.
Mais minhas pernas.
E eu rasgando minha cabeça.
Lá atrás, vendo a pista, o asfalto andando exatamente como minha vida.
Rápido.
Voltando ao PURGATÓRIO.
Olho as ruas, arbustos, pessoas.
Olho o calor, queimando a pista.
E eu, com aquela calça, sendo OBRIGADO a usar. E o calor batendo no vidro... Para me pegar.
Olhando a imagem, volto rapidamente para o inicio e ao mesmo tempo para os ÚLTIMOS DIAS.
Os ÚLTIMOS DIAS.
Desde a ÚLTIMA vez que vivi.
Desde a última vez que o vi.
Olhando aquela pessoa que está ali. E lubrificando minhas pálpebras.
Percebo que a imagem, chora comigo.
Chora por mim.
Logo quando achei que não tinha mais onde escorrer. Tenho mais do que penso.
Quando penso que vou esquecer aquela noite... Volta o pesadelo tudo de novo.
A voz, a Dor, a Falta de ar,...
O pesadelo das outras coisas jamais vista em minha vida.
O passageiro na minha frente, fazendo o de sempre.
Calado.
Sofrendo, a sua maneira.
Sozinho. Como SEMPRE.
Atrás, só, eu ainda observava a mesma trajetória que aquele ônibus passava.
As borrachas da pista fazendo meu estomago saltar.
E eu tendo que engolir saliva. Para não saltar o que não tinha.
Cada vez que seguro vem àquela dor do peito.
“DO” e “NO”.
Volto para onde fui Feliz e Infeliz ao mesmo tempo.
Volto...
Para talvez encarar um juiz. O juiz.
Até então só tinha presenciado na Tv.
Não sei o que acontece. Mais toda vez que tenho que voltar para aquele lugar,
Fico com dor de cabeça. Ao ponto de explodir.
Se explodir, leve o cérebro junto.
Naquela Estrada, olho para a placa: “RETORNO...”
É quando a vontade de tomar o volante e obedecê-la é bem notória.
Como odeio aquelas curvas, placas...
É quando lá de cima, eu vejo o mar, vejo as casas.
É de lá que sempre quando tinha que voltar, queria cair.
Numa altura INCALCULÁVEL.
E parece que o pensamento não mudou muito ainda hoje.
Mais quem estava em minha frente não merecia isso.
Não merecia IR, por causa de mim. Por minha culpa.
Pelo menos NÃO o passageiro.
...
E você ali, naquele Fórum.
Vendo Ratos e mais Ratos em brigas e mais brigas.
E você ali, sentado. Sem poder fazer nada.
Inútil.
Como se tivesse levado uma ferroada de escorpião.
Paralisado.
Sendo APENAS um Camundongo, em meio as Ratazanas... De ternos.
É como se tivesse ouvindo vozes.
“Até você...?”
“... Brigando por dinheiro”
Mesmo sem querer, também acabo sendo rato.
Na volta é quando bate o “Conformismo”.
Mesmo sem se Conformar.
E na noite, você tentando ou não querendo olhar para aquele vidro.
Para o retrovisor.
Mais não tem como. Os raios fazem questão de mostrar.
Os relâmpagos fazem questão de lhe mostrar o outro lado seu.
Faz com que só consiga ver seu nariz e boca. Fechada.
Com lágrimas surgindo.
É quando o céu resolve colaborar com minha tristeza, jogando também suas lágrimas. E demais.
Tanto, ao ponto de não conseguir enxergar nada.
A não ser luzes.
Luzes e a impressão da morte se "aproximando".
Tendo que guiar SÓ por INSTINTO.
REFLEXO.
Via a Estrada, assim como minha vida, DE CABEÇA PARA BAIXO.
Só vultos.
E o veículo AINDA estava de pé.
Horas sentado, fazem minhas pernas adormecerem, ficarem fracas.
Se teve uma coisa de bom nisso, foi ALGUMAS lembranças...
... E o fato de não ter tido a necessidade de ter que ir à BARCA DE FERRO.
Ter que atravessá-la, seria o MAIS TERRÍVEL PARA MIM.
Vi de longe, a escuridão que aquela ILHA se tornou prá mim.
Sentir como se ela estivesse me chamando.
“Venha, Venha, atravesse, venha voltar às lembranças...
... Comece pelo “fim.”
Vi as TREVAS, no PARAÍSO.
Mais sei que é só questão de tempo, para ter que encará-la de VERDADE.
Só não pude evitar em ler a placa ao fundo;.
...
“
CEMITÉRIO MUNICIPAL”
Í/B.