"Acho que todo adulto tem seus momentos de criança. De ser criança.
Eu Acho que tenho o meu de vez em quando.”
Acho que a Infância que eu tive, ninguém jamais teve ou terá.
Porque eu tive um CARA que só mais 2 pessoas tiveram o PREVILÉGIO de ter.
Eu talvez mais.
Quando acabava as aulas às 18:00 e eu de vez ir para casa, ficava lá na escola. Não para estudar. É lógico. Mais sim, para ficar na quadra jogando e jogando bola. Quando ia embora, já ficava no ponto de ônibus inventando minha desculpa (mentira). E olha que ERA bom nisso. Chegava em casa as 21:00, 21:30. Era a noite toda jogando bola. Já sabia que iria ter enchimentos de saco. Mais no final, eu não estava nem aí. Fazia de novo.
Me lembro como hoje, no dia de meu aniversário, meu brinquedo. Tinha acabado de chegar da escola. Ele me deu um "carrinho" até grande pelo tamanho dos carrinhos normais. Amarelo com rodas laranja, de plástico.
Achei feio, achei até um absurdo ganhar "aquilo" como presente.
Mal sabia eu, que aquele simples carrinho teria um valor sentimental para mim, que mesmo depois de onze anos, eu ainda não esqueceria.
Depois de anos, o que restou dele foi somente às rodas. Que não sei onde está.
Mais aprendi que não é o valor do presente que interessa, mesmo ele custando sei lá, alguns trocados. Mais sim o valor sentimental. De como é dado. Ele não sabe, mais eu vou guardar sempre com carinho aquele carrinho. Na mente.
Vivi infelizmente momentos de desespero. Ao ponto de pensar se eu iria morar na rua.
Cheguei ao ponto da decadência humana. E pela minha infelicidade, não foi uma vez.
Se fez eu me tornar homem? Não sei. Acho que poderia ter outras opções.
Anos após anos, passaram-se e ganhei outros presentes, melhores. Isso quando ganhava.
Mais apesar dos pesares, não tenho do que reclamar de minha infância.
Me divertir demais. Brinquei, joguei bola, corria pela cidade.
Tive ÓTIMAS amizades. Prometi a ELES por sinal, quando tiver com trinta anos voltar.
Desta vez como Turista, e não como morador. Terão que esperar "SÓ" mais nove anos.
Na verdade minha vida na infância se resume a uma só pessoa. Quando cheguei naquela cidade sem conhecer nada. Com oito, pra nove anos. Aquele cara me deixava sozinho dormindo, com praticamente a porta aberta e ia trabalhar.
Para quê?
Para sustentar aquela responsabilidade que ele tinha "tirado" de minha mãe. Que por sinal, alegou que eu estava cabisbaixo sem sua presença.
Quando a madrugada pairava, ele chegava em casa.
E a primeira coisa que ele fazia?
Era ir de encontro à direção da cama, e me beijar. Eu, mesmo naquele sono profundo percebia que alguém estava me abraçando. E deixava, porque sabia que aquela pessoa que está me abraçando, queria meu bem.
Sentia seu cheiro de suor, de cigarro, de cerveja, que nem dele era; Pensava:
“Hoje esse cara trabalhou. Hoje, esse cara se "ferrou", hoje esse cara agüentou HUMILHAÇÕES como ele mesmo dizia, para colocar a comida em cima daquela mesa, que eu (junto com ele), fazia minhas lições. "
E não dava valor aquele cara. Não conseguia.
Fico pensando: "Meu Deus, aquele cara que deixa um filho de Nove anos dormindo sozinho, ouvindo as pessoas o chamando de louco por fazer isso, fazendo TUDO que fez por mim. Porque eu não dei seu devido e MERECIDO valor? porque eu o desrespeitava?”
Ficava pensando na época. Como que pode alguém conseguir conciliar o trabalho com estudo (meu)? Ser um Pai e uma Mãe?
E é verdade. Eu confesso que eu NUNCA seria um pai para alguém. Não vou chegar aos seus pés.
Tinha tudo que uma criança poderia ter. A Felicidade (que saudades). A Compreensão. O Carinho, Amor e o RESPEITO que aquele HOMEM podia me dá.
E em troca? Queria apenas minha compreensão.
Pena que não pude dá.
Sei que fui uma ajuda para ele também.
Mais a única coisa que "pude" dar-lhe em troca foi minha presença.
"Grandes MERDA".
Um "prazer" que NINGUÉM quer. Nem pagando.
Às vezes ouço vozes num canto da casa. Algo que já tinha ouvido.
Algo como:
"Ítalo, TUDO que faço, é por VOCÊ. Você é MINHA VIDA. Eu agüento aqueles bostas, não mando eles irem pro inferno por sua causa. Penso:"não, porque tem alguém que precisa, que depende de mim". Então meu filho, só te peço uma coisa, DE VALOR AO SEU PAI."
Sei o que vou dizer não adianta mais nada. Mais queria só dizer PERDÃO.
PERDÃO por ter feito sofrer.
Mais estou feliz. Feliz, porque estou pagando por tudo. [E não paguei 1/3.]
Feliz porque cada vez que ouço, vejo ou LEIO alguém falando "PAI" é como se fincasse uma lança em meu peito. E virasse.
Engraçado como muitas pessoas falavam demais, questionava o que ele fazia por mim. As pessoas não entendiam que eu era a única coisa que ele tinha ainda de "útil". Era só Eu e Ele.
No nosso Pequeno e Imenso mundinho. De 2 metros quadrados.
Hoje a única coisa que me vem na cabeça, quando me lembro de INFÂNCIA são minhas perguntas. Um tanto quanto chatas.
"Porque disso, por quê daquilo?"
"Porque é assim? porque é isso? Porque deve, e não deve?"
E no final, quando ele respondia TODAS, eu perguntava por quê sabia de tudo.
Mais tarde quando crescido ele fazia suas perguntas, eu vinha com 10 pedras na mão, como dizia ele mesmo.
Ou me deixar triste até hoje, quando lembro-me que ele fez uma pergunta e eu NÃO soube responder. Ele se foi. Sem ao menos saber a resposta de minha boca.
Queria dizer a ele que hoje eu sei. Rsss, que diferença faz agora Ítalo?
E se pudesse pedir um desejo a Deus?
"Que ele faça voltar dez anos. Transforme-me em criança novamente. E DEVOLVA o que tirou de mim. Porque eu preciso.
Preciso dele para cuidar de mim.
E o senhor sabe disso"
Rsss, hoje perdi minha riqueza, perdi minha esperança.
Perdi minha infância.
Só me restou... ... ... As Lágrimas daquela INFÂNCIA de uma CRIANÇA que não tinha responsabilidades. Que só tinha uma coisa em sua inocente cabeça: "Brincar".
Sinceramente, não penso mais em ninguém. Sempre imaginei eu mostrando alguém para ele. E dizer que Esse Cara deu sua Vida por mim.
E não ganhou nada em troca.
“Não era esse o futuro que imaginava”.
Í/B.

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