sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Sem fazer















Sujando de lama eu fico sem muito que fazer.
É só deixar a lama sujar o máximo que ela puder.
É quando percebo que estou sozinho.
Percebo que meus amigos foram embora.
Agora sou eu.
Só eu.
Talvez o vento também.
Não que eles me abandonaram. Talvez ainda não seja o momento certo para voltarmos a nos encontrar.
Tantas coisas pra dizer. Coisas que nem sonhando posso dizer.
Quando quieto por fora, choro por dentro. E pior, entrei numa gaiola sem fim.
Sem saída.
Qual é a graça de querer ser alguém ou tudo o que não se pode?
Ser e ter um pouquinho de todos? Uma ponta venenosa e perigosa de inveja.
Parece que estou começando a ter isso.
Esse não sou eu. Não foi assim que fui criado.
Talvez seja um eterno retrógrado.
Abandonado, não posso contar com muita coisa.
Cada passo meu é deixado pra trás, assim como meus pensamentos.
Assim como um trem... Lento, com ideias pesadas e provectas de quase tudo.
Sou assíduo nos meus sonhos. Não que eu sempre queira.
Sempre imagino que isso tudo um dia acabará. Esse pesadelo sem fim.
...Quando voltar a vê-los, que eu já esteja bem encaminhado.
E que não seja tão contumaz como sou hoje.

Íb!

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