
Corro Demais.
Dia e NOITE.
Corro um Absurdo.
Corro de Tudo.
Corro do MUNDO.
Desço louco para correr.
Desço louco para te ver.
Então, eu corro demais.
Desafio meu corpo.
E meu coração.
Mesmo sabendo que ele, não possa ser mais desafiado.
Não nessa maneira.
Talvez por isso o motivo das fortes dores.
Corro o máximo que posso.
Vejo até onde meus pulmões são capazes de aguentar.
Quando paro, meu cansaço a mostra, é evidente.
E minha respiração cada vez mais e mais ofegante.
Faço tudo isso para chegar.
Chegar, onde nem sei ainda.
Será o Oeste?
Saturn?
Não sei. Quem sabe...
Corro por um caminho sem volta.
Faço o que apenas tenho que fazer.
Faço o que APENAS; todos (creio eu) fariam.
Ao seu encontro.
Ao seu dispor.
Sei que não posso correr.
A energia que tenho ou queria ter dentro do meu corpo, não é a mesma que dispõe meu coração.
Ou que dispunha anos passados.
Minhas pernas tremulam, diante de cada pisada ou firmamento de meus pés no sólido.
Meus joelhos estão quase estourando.
Ligamentos então seguros, agora estão realmente sendo segurados por apenas dois fios.
Já me avisaram que já fui novo.
Já me avisaram que não tenho mais idade para desafiar o poder de reação de meus membros, órgãos ou coisa alheia.
Corro, atravessando Ruas, Carros, Campos e Avenidas.
Quase sendo atropelado.
Meu objetivo, talvez seja vê-la.
Um último desejo. Pedido.
Ou até quando durarem.
Ou até meus ligamentos estourarem de vez, e minhas articulações em estado precário, se desligarem de vez; de meu apoio unilateral (minha patela).
Ou até romperem-se. E interromper-me.
Desligando-se de minhas pernas.
Desprendendo-se de meu joelho.
Danificando minhas cartilagens (corrompidas e corroídas).
Correr, já está me cansando.
Não sei até quando continuarei correndo.
Enquanto retardo esse processo... Corro. Corro.
Correrei.
Até minhas pernas não aguentarem mais.
Para mais uma vez, te encontrar.
Te ver.
Nem que seja por alguns instantes.
Nem que seja, por ALGUNS momentos.
Nem que seja... Pela ÚLTIMA VEZ.
Í/B.
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