domingo, 25 de abril de 2010

Última Casa














A história de todos.
Cada um com a sua.
Mudando e mudando sempre de lugar.
Sempre de casa.
Conhecendo todos os bairros, pessoas.
Lidando com ruins e médias.
Lidando com a pobreza, muito longe da nobreza.
E sem saber, estaria mudando de casa.
Como sempre. Sendo acordado no susto.
Sem saber o que estava acontecendo.
Sem nem ao menos poder mencionar.
Hoje, entendo tudo.
Tudo que antes era difícil para mim.
Tudo o que tinha.
Hoje eu não sei, mais perdi tudo.
Como pode perder dessa forma? Escorrendo pelos meus dedos?...
Inchados de tanto segurar o que não se pode controlar.
E aquela Última Casa o que restou, fora o sangue de dias, as lembranças.
Foi a minha dor.
Que debaixo daquela mesa, pude imaginar.
E aquele dono foi embora.
Assim como fiz, abandonando de vez.
Fui tão FRACO.
Escorando-me numa fantasia de FORTE, Corajoso, Bom, Esperto.
Sou um COVARDE, fingindo ser CORAJOSO.
Enganando pessoas.
Que só queriam meu bem.
Sou uma Besta. Sou o Homem.
Adianta eu ter opiniões "sólidas", se ajo só como fumaça?
Adianta ter "Lentes Coloridas", se só enxergo Cinza?
Pensarão por mim. Certeza.
Toda vez que acordar, não adiantará colocar minha cabeça na cabeceira da cama.
Se pensar em desistir será o melhor para mim... ? Não sei.
Lamentar, não quer dizer mais nada.
Desculpe a tantas poucas pessoas, mais empurro o tempo com a barriga.
Inchada também de tanto marcar.
Desculpe a tantas poucas pessoas, mais deixo o vento me levar.
...
E a Última Casa, também foi de cera.
Assim como minha pele. Derretendo por causa de minhas atitudes.
E agora, cada vez que me deito e tendo que olhar para cima, vejo o assassino.
Que eu fui.
Culpado por sua própria sentença e pior; consciência.
Soube hoje, que existem perdas ruins também.
E aquele tempo que fecha para mim, fecha para outras também.
Rezo.
Por aquelas lágrimas que tanto saíram (E persistem).
Realmente não vivo. Apenas "estou coexistindo".
Realmente meu modo de viver... É pouco.
Jamais me esquecerei de tais palavras.

"E hoje, o máximo que sinto é uma respiração muito familiar em meus ombros"


Í/B.

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