
Ele está aí.
Sinto sua presença logo cedo.
Às vezes até na noite anterior.
Já sei que no dia seguinte ele Acabará com tudo.
É nesse momento que rezo.
Rezo, para o sol queimar o menos possível.
Mais não tem jeito. Ele queima.
Causa Insolação e até MATA.
Às vezes penso que sou Árabe.
Talvez se fosse, aguentaria as queimaduras desse corpo judiado.
Cada suor que gruda em meu corpo, axila, é quando ele se sente fortalecido.
Ver meu sofrer, minha raiva por ele.
Ver eu me debater, ranger os dentes.
É quando tenho vontade de rasgar minha camisa.
Para ele bater no meu peito junto ao vento.
Mais minha CAMISA se torna de “FORÇA”.
Prende meu corpo, braços, não deixando com que as arranque.
É nesse momento que corro para o Ar...
... Condicionado de alívio e frescor.
Mais sei que será em vão. Uma hora terei que enfrentá-lo.
É só questão de minutos.
Ele também não tem pressa.
Tem até o final da tarde para me esperar.
E me espera.
Com a “boca” salivando.
É quando começo a avistar o Inferno.
Bem debaixo ou em cima de mim.
É quando a cada calor que sinto, é como se o Diabo assoprasse em meus ouvidos.
Minha camisa começa a se soltar do meu corpo quando vou entrar debaixo do chuveiro.
Livrando-me daquele tormento.
É quando tiro rápido. Quando tiro.
Sei que no dia seguinte a luta continua.
Derretendo, se dissolvendo como uma simples pedra de gelo no SAARA.
Cada suor que escorre de meus braços, é uma Esperança a menos para mim.
É quando me vejo no DESERTO.
Tendo que ficar com 75°C.
No encéfalo.
Caído de rosto das areias.
Só.
Com Cactos, e abutres.
Rodeando. Rodeando.
Voando em círculos.
Sua em questão de minutos, futura comida.
Só esperando OUTRO corpo se decompor, para começar a devorá-lo também.
Com meu Cantil que só tem uma gota.
Para quem sabe, comece a me acostumar com as queimaduras.
Desse Mundo cada vez mais Quente.
Se ficar VIVO.
...
Í/B.
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